Barreiro em Curtas abre inscrições e chega a todos os ciclos de ensino em 2026/2027

O Barreiro em Curtas prepara uma nova etapa no ano letivo 2026/2027 e as inscrições já estão abertas. Depois de uma segunda edição marcada pelo crescimento da participação, pela estreia do cinema de animação e pelo reforço da ligação entre escola, cinema e território, o projeto avança agora com a sua principal novidade: o alargamento progressivo a todos os ciclos de ensino, do 1.º ciclo ao 12.º ano.

A mudança representa um passo decisivo na consolidação do Barreiro em Curtas enquanto programa de literacia cinematográfica, educação para os media, criação artística e valorização da memória local. Até aqui, o projeto esteve centrado sobretudo no ensino secundário. A partir de 2026/2027, a ambição passa por construir um percurso mais contínuo, capaz de acompanhar crianças e jovens em diferentes fases do seu desenvolvimento escolar, criativo e cultural.

Na prática, isto significa que o cinema deixará de surgir apenas como experiência pontual numa fase mais avançada do percurso educativo e poderá começar a ser trabalhado mais cedo, com propostas ajustadas à idade, ao ciclo de ensino e ao contexto de cada turma. O objetivo é criar uma relação mais prolongada com a linguagem audiovisual, permitindo que os alunos aprendam, desde cedo, a observar, interpretar, criar, filmar, escutar, montar e pensar criticamente as imagens que fazem parte da sua vida quotidiana.

Cinema em todos os ciclos: o que muda em 2026/2027

O alargamento a todos os ciclos de ensino reforça essa visão. No 1.º ciclo, o contacto com o cinema pode começar pela descoberta da imagem, da sequência, do som, da memória oral e das histórias próximas. Nos 2.º e 3.º ciclos, o projeto pode desenvolver competências de pesquisa, escrita, expressão visual, trabalho em grupo e leitura crítica dos media. No secundário, a experiência ganha maior complexidade técnica, narrativa e autoral, com produção de curtas documentais, filmes de animação, bandas sonoras e projetos audiovisuais mais estruturados.

Esta progressão permitirá criar uma verdadeira estratégia local de educação para o cinema e para os media. O objetivo é formar futuros criadores, mas também espectadores mais atentos, cidadãos mais críticos e jovens capazes de compreender o papel das imagens na construção da memória, da identidade e da vida pública.

Outra novidade em desenvolvimento é o reforço da dimensão musical do projeto, com a integração de bandas sonoras originais nas produções dos alunos. A colaboração com áreas ligadas à música permitirá aprofundar a relação entre som e imagem, envolver novos participantes e aproximar os estudantes de processos criativos usados no cinema profissional. A curta-metragem passa, assim, a ser trabalhada como objeto artístico completo, onde imagem, palavra, som, ritmo e montagem dialogam desde a primeira ideia até à apresentação final.

Memória, arquivo vivo e novas redes para fazer circular os filmes

O projeto também pretende fortalecer a sua dimensão de arquivo e memória. Uma das linhas em desenvolvimento passa pela expansão do site do Barreiro em Curtas, com destaque para a secção “Barreiro Retratos Vivos”, dedicada à recolha e valorização de histórias, memórias e biografias de barreirenses. A médio prazo, esta plataforma poderá funcionar como um arquivo digital permanente, reunindo documentários, entrevistas, fotografias, testemunhos, conteúdos educativos e projetos produzidos por alunos e cidadãos.

Essa evolução liga o Barreiro em Curtas a uma ideia maior: uma cidade conta-se através das histórias das suas pessoas. Ao envolver escolas, alunos, professores, famílias, associações, arquivos, técnicos locais e membros da comunidade, o projeto transforma a criação audiovisual num exercício de participação cidadã. Os jovens deixam de olhar para o património como algo distante e passam a participar na sua preservação, interpretação e transmissão.

O ano letivo 2026/2027 deverá ainda reforçar a ligação do Barreiro em Curtas a outros territórios e circuitos culturais. A relação com o Festival Curtas na Margem abriu caminho a uma rede intermunicipal de cinema escolar, envolvendo concelhos como Almada, Montijo, Seixal, Lisboa, Barreiro e Moita. A partir desta experiência, o projeto procura ampliar oportunidades de circulação, partilha e reconhecimento dos filmes criados por crianças e jovens.

Também está em perspetiva o fortalecimento de pontes com festivais nacionais de cinema, como os Encontros de Cinema de Viana do Castelo, o MONSTRA, o DocLisboa e o CINANIMA. Estas ligações podem criar novas oportunidades de exibição, masterclasses, residências artísticas, encontros com realizadores e projetos colaborativos, aproximando os alunos dos espaços onde o cinema é visto, pensado e debatido em Portugal.

Como escolas, professores e alunos podem participar

Para as escolas, a participação no Barreiro em Curtas representa uma oportunidade de trabalhar conteúdos curriculares de forma interdisciplinar. História, Português, Educação Visual, Cidadania, Música, Tecnologias, Artes, Geografia e outras áreas podem cruzar-se num projeto comum, com impacto na aprendizagem dos alunos e na formação dos professores. A metodologia assenta na aprendizagem por projeto, no contacto com o território, na criação colaborativa e na apresentação pública dos resultados.

Para os professores, o projeto oferece um contexto de formação, inovação pedagógica e experimentação de novas ferramentas. Para os alunos, abre um espaço onde podem investigar, criar, errar, refazer, decidir em grupo, assumir responsabilidades e ver o seu trabalho reconhecido perante a comunidade.

As inscrições para 2026/2027 estão abertas e as vagas são limitadas. Podem participar alunos das escolas do concelho, em articulação com os respetivos professores e estabelecimentos de ensino. As candidaturas devem seguir as regras definidas no regulamento da nova edição, com indicação dos ciclos abrangidos, modalidades de participação, prazos, acompanhamento docente, sessões formativas e formas de submissão dos trabalhos.

Quem quiser participar deve começar por consultar o regulamento, falar com a escola ou professor responsável, escolher a modalidade de trabalho e preencher o formulário de inscrição. A partir daí, os participantes serão integrados no percurso formativo do projeto, com acesso às orientações necessárias para desenvolver a curta-metragem, seja na área documental, na animação ou nas novas vertentes artísticas associadas ao programa.

O Barreiro em Curtas entra em 2026/2027 com uma ambição clara: crescer com as escolas, chegar mais cedo aos alunos, criar continuidade entre ciclos de ensino e afirmar o cinema como ferramenta de aprendizagem, memória, criação e cidadania. Depois de uma edição que mostrou a força dos jovens realizadores do concelho, o novo ano letivo abre caminho a uma participação mais ampla e a uma relação ainda mais profunda entre o Barreiro, as suas histórias e as novas gerações.

📄 Regulamento  2026/2027 👉 AQUI

📝 Inscrições 2026/2027 👉 AQUI


O que é o Barreiro em Curtas e que balanço deixa a edição anterior

O Barreiro em Curtas nasceu com uma ideia simples e exigente: aproximar os jovens do cinema através do território onde vivem. O projeto convida os alunos a olhar para o Barreiro como matéria criativa, a investigar histórias locais, a contactar com pessoas da comunidade, a descobrir património material e imaterial e a transformar essas experiências em curtas-metragens documentais, filmes de animação e outros objetos audiovisuais.

A proposta cruza educação, cultura, memória e cidadania. Ao longo do processo, os alunos passam por várias etapas de criação: pesquisa, escrita, guião, recolha de imagens, entrevistas, som, filmagem, animação, montagem e apresentação pública. O resultado final é importante, mas o percurso assume um peso central. O Barreiro em Curtas trabalha a autonomia dos alunos, a criatividade, o trabalho colaborativo, a literacia visual, a comunicação, a capacidade crítica e o sentimento de pertença ao território.

Organizado pelo Agrupamento de Escolas de Casquilhos e pelo Cine Clube do Barreiro, em articulação com escolas do concelho, a Academia de Jazz Os Franceses, a Universidade Sénior do Barreiro e o Plano Nacional de Cinema, o projeto tem vindo a construir uma rede de parceiros ligados à educação, à cultura, ao cinema, à música, à memória local e à participação comunitária.

A edição 2025/2026 confirmou esse crescimento. O Barreiro em Curtas chegou aos 27 filmes realizados por estudantes, distribuídos por 13 curtas documentais e 14 filmes de cinema de animação. Na vertente documental, participaram 74 estudantes, com 18 projetos iniciados e 13 filmes concluídos. Na vertente de animação, estiveram envolvidos 76 estudantes, que desenvolveram 14 filmes. A edição 2025/2026 marcou ainda a estreia da categoria de cinema de animação. (Veja aqui como foi o Festival).

Esta diversidade mostra um dos traços mais fortes do Barreiro em Curtas: cada filme funciona como uma porta de entrada para a cidade. Os alunos partem de lugares conhecidos, figuras locais, histórias familiares, memórias urbanas, práticas desportivas, edifícios, bairros, escolas e espaços de encontro para construir narrativas próprias. O Barreiro surge como arquivo vivo, mas também como território em transformação, observado por uma geração que cresce rodeada de imagens e precisa de ferramentas para as compreender e produzir com sentido.

Lê também