Barreiro em Curtas passa a integrar a rede Cidade dos Arquivos

Cidade dos Arquivos

O Barreiro em Curtas integra agora a rede de parceiros do Barreiro, Cidade dos Arquivos, juntando o cinema realizado nas escolas a um projeto que reúne instituições responsáveis pela preservação de documentos e memórias da cidade. A entrada aproxima o trabalho dos alunos de acervos onde se pode investigar a vida nas fábricas, as transformações da frente ribeirinha ou a história dos movimentos sociais. A integração está apresentada numa página dedicada ao Barreiro em Curtas.

Coordenado pelo Agrupamento de Escolas de Casquilhos e pelo Cine Clube do Barreiro, em articulação com o Plano Nacional de Cinema e o Instituto do Cinema e do Audiovisual, o projeto envolve alunos do 1.º ao 12.º ano na criação de curtas-metragens sobre o concelho. Com professores e formadores de cinema documental e de animação, os participantes investigam, escrevem e realizam filmes. Nesse percurso, a consulta de arquivos permite trabalhar com fontes para conhecer as pessoas e os lugares que chegam ao ecrã.

A Cidade dos Arquivos assenta na colaboração entre instituições públicas e privadas com coleções de natureza distinta. No texto de apresentação da rede, José Pacheco Pereira relaciona essa concentração de arquivos com o passado industrial do Barreiro, a experiência das suas populações operárias e a história da oposição à ditadura. A proposta é pôr esses fundos em relação e aproximá-los de investigadores, habitantes e entidades culturais, associando o trabalho de arquivo às funções de biblioteca e museu.

A dimensão desse património percebe-se nos materiais conservados pelo Arquivo Histórico da Fundação Amélia de Mello. A documentação da CUF e das empresas que lhe sucederam abrange decisões industriais, recursos humanos, obra social e arquitetura. Ao arquivo documental juntam-se dezenas de milhares de fotografias e cerca de 135 mil plantas e desenhos dos serviços técnicos do grupo. São fontes que permitem estudar tanto a organização da produção como os edifícios e as condições em que se trabalhou.

Também ligado a esse passado, o Centro de Documentação do Museu Industrial da Arco Ribeirinho Sul conserva registos das áreas produtivas e fotografias de bairros operários, creches, unidades de saúde e colónias de férias. Inclui publicações internas da CUF e da Quimigal, além de documentação sobre a atividade desportiva e cultural do Grupo Desportivo da CUF. O centro disponibiliza consulta gratuita no local e apoio técnico à pesquisa, mediante marcação.

Nos armazéns do Ephemera, a história política e social encontra-se em livros e periódicos, mas também em panfletos, autocolantes, emblemas e cartazes feitos para manifestações. Com materiais de cerca de uma centena de países, o arquivo preserva objetos produzidos para circular num determinado momento e que, depois, se tornam documentos desse tempo. O trabalho de recolha, tratamento e divulgação é realizado por voluntários.

A presença do Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra permite alargar a investigação aos estuários do Tejo e do Sado. O acervo inclui listas de passageiros do Porto de Lisboa entre 1955 e 1987, projetos de obras, fotografias e cerca de 40 mil plantas e mapas. Integra ainda filmes sobre a atividade portuária e a cidade ribeirinha, preservados pelo ANIM, da Cinemateca Portuguesa, entre os quais «Porto de Lisboa», de 1923, e «Fragatas e Gaivotas», de 1963.

Outras coleções recuam a períodos anteriores à industrialização do Barreiro. O CHAPAS, Clube História e Acervo Português da Actividade Seguradora, reúne cerca de 15 mil unidades entre documentos, peças e biblioteca, com um documento datado de 1794.

No património arquivístico municipal apresentado pelo Espaço Memória, o documento mais antigo destacado é um pergaminho de 1744, pertencente ao Fundo da Irmandade do Santíssimo Sacramento. O equipamento municipal reúne acervos patrimoniais, documentais e artísticos e acolhe pesquisa, exposições e visitas.

O Arquivo Sonoro do Barreiro, desenvolvido pela OUT.RA através do projeto Cidade Som, guarda mais de 300 registos disponíveis gratuitamente na Internet. Entre eles estão o som dos antigos autocarros a diesel dos TCB e o ambiente da Taberna do Valdemar. Parte destas gravações tem sido utilizada por artistas na composição de obras musicais, mostrando um uso dos arquivos que também interessa a quem trabalha com cinema.

A rede de parceiros em que entra o Barreiro em Curtas inclui a ADAO, a Banda d’Além, o Colectivo SPA e a PADA Studios, bem como a delegação do Barreiro da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça e a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro. A criação artística e o ensino encontram-se, assim, representados ao lado das instituições que guardam os acervos.

Os contributos destes parceiros estendem-se a áreas pouco habituais quando se pensa em arquivos. A Banda d’Além trabalha na recuperação do Bastardinho do Lavradio e na recriação de vinhos de diferentes épocas, incluindo o que se bebia nas tabernas frequentadas pelos operários da CUF. A PADA acolhe residências de artistas no antigo território industrial, enquanto a ADAO disponibiliza ateliês e oficinas no antigo quartel dos Bombeiros Voluntários dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste.

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