Alunos percorrem o Barreiro Antigo à procura de histórias para levar ao cinema

Visita Barreiro Antigo

Quando saíram da Escola Secundária de Casquilhos para percorrer a Rua Aguiar, alguns dos cerca de 40 alunos dos 10.º D e E conheciam aquela zona do Barreiro como se conhecem tantos lugares da cidade onde se vive: sabiam onde ficava, talvez já tivessem passado por lá, mas pouco do que viam lhes dizia alguma coisa sobre quem ali esteve antes deles. A caminhada de 25 de setembro começou nesse desconhecimento e acabou com vários estudantes a pensar que, entre aquelas ruas, poderiam estar alguns dos próximos temas do Barreiro em Curtas.

A visita “À Descoberta da Nossa Terra” nasceu no âmbito da disciplina de História, com a professora Helena Pereira, e contou com Fernando Motta e Lara Brandão, historiadores do Espaço Memória, para conduzir os alunos pelo Barreiro Antigo. Longe de ser uma aula fechada entre quatro paredes, tiveram diante deles os próprios vestígios da transformação da cidade.

Na Rua Aguiar falaram da pesca e do comércio, das atividades económicas que durante décadas fizeram parte da vida daquela zona e de uma população cujo quotidiano tinha rotinas difíceis de imaginar para quem nasceu neste século. Uma delas era o abastecimento de água feito por carroças. Noutras paragens, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a antiga Escola Conde de Ferreira, onde funciona hoje a Universidade Sénior do Barreiro, permitiram perceber como os mesmos edifícios atravessam épocas e ganham diferentes lugares na vida da cidade.

Parte desse Barreiro reapareceu depois em fotografias e num filme realizado em 1928. O registo do quotidiano da população barreirense colocou diante dos alunos pessoas que caminharam por aquelas ruas há quase cem anos e introduziu, quase naturalmente, outra questão na visita: aquilo que uma câmara guarda também passa a fazer parte da memória de um lugar.

É neste ponto que História e cinema se encontram no trabalho que as turmas desenvolvem com o Barreiro em Curtas. Antes de existir um argumento, uma entrevista ou uma sequência filmada, existe uma pergunta. Quem viveu aqui? O que aconteceu neste edifício? Que profissão desapareceu? Que memória continua guardada por alguém? O percurso com Fernando Motta e Lara Brandão abriu algumas dessas perguntas e mostrou aos estudantes onde procurar outras.

Helena Pereira percebeu isso ainda durante a atividade. Muitos desconheciam a história da Rua Aguiar e surpreenderam-se com o património que encontraram tão perto dos espaços que fazem parte do seu quotidiano. No final, segundo a professora, “vários alunos terminaram a visita já com ideias para futuros projetos a desenvolver no âmbito do Barreiro em Curtas”.

Para uma turma que terá de escolher o que merece ser contado num filme, essa descoberta muda a relação com a cidade. Uma rua deixa de servir apenas para chegar a algum lado; uma fotografia antiga pode levar à procura de uma família; uma profissão desaparecida pode conduzir a alguém que ainda se lembra dela; um edifício aparentemente familiar pode guardar uma história desconhecida até por quem passa diante dele todos os dias.

A visita integrou também as Jornadas Europeias do Património 2026, mas o trabalho iniciado naquela manhã pode continuar para lá do percurso pela Rua Aguiar. Alguns dos assuntos encontrados pelos alunos terão agora de sobreviver à pesquisa, à procura de testemunhos e às escolhas que fazem parte da construção de um filme. Talvez um deles comece numa história ouvida durante esta caminhada.

Lê também