Bandas sonoras originais enriquecem o Barreiro em Curtas

Na edição 2025/2026, o Barreiro em Curtas aprofunda o seu compromisso com a formação artística de jovens estudantes ao integrar, pela primeira vez, um processo completo de criação de bandas sonoras originais nas curtas-metragens a concurso. Esta nova etapa formativa vai muito além da adição de música aos filmes: propõe uma abordagem sensível e integrada ao universo sonoro no cinema, desde a captação de som direto até à composição, gravação e mistura final. As inscrições estão abertas até o próximo dia 15 de outubro (ou até preencher as cinco vagas disponibilizadas).

As sessões semanais, com duração entre 90 e 120 minutos, estarão organizadas em dois momentos principais: um primeiro dedicado à exploração e aquisição de competências e um segundo voltado para o acompanhamento criativo e técnico dos projetos dos alunos.
Na primeira metade do ano letivo, os participantes terão contacto com conteúdos fundamentais para o pensamento e prática do som no cinema:

  • Breve história da música para cinema e análise de sequências que evidenciem a relação entre imagem e som;
  • Princípios da captação sonora, com introdução às técnicas de recolha de diálogos, foleys e ambientes;
  • Ferramentas digitais de composição e sound design, incluindo softwares usados profissionalmente na área audiovisual;
  • Discussão sobre modos de escuta e construção de atmosferas sonoras ao serviço da narrativa.

A segunda metade do ano letivo será inteiramente dedicada aos projetos em curso dos alunos, com um acompanhamento personalizado que contempla:

  • Discussão das propostas visuais e narrativas dos filmes, com vista à definição de abordagens musicais e sonoras coerentes;
  • Apoio direto à composição musical, gravação e edição de trilhas originais;
  • Supervisão na mistura final de som, integrando música, diálogos e ambientes num todo expressivo e harmonioso;
  • Sessões de visionamento e escuta crítica dos filmes finalizados.

A realização das aulas na Academia de Jazz – Os Franceses é um dos grandes trunfos deste percurso. O espaço, para além de oferecer estrutura técnica adequada, possibilita o contacto direto com músicos em formação, instrumentos ao vivo e oportunidades de colaboração artística entre áreas criativas distintas.

Com esta iniciativa, o Barreiro em Curtas reafirma-se como um laboratório de criação cinematográfica completo, onde os estudantes são desafiados a experimentar todas as dimensões de um filme — da ideia inicial à pós-produção sonora. A música, enquanto linguagem autónoma, torna-se assim ferramenta de expressão narrativa, emocional e estética.

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Coordenação da componente sonora está entregue a João Dias Ferreira

O trabalho será orientado por João Dias Ferreira, pianista, compositor e investigador com uma carreira artística fortemente ligada ao cinema e à criação interdisciplinar. Licenciado em Piano Jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), concluiu uma pós-graduação em Composição e Produção Musical para Cinema na Universidade Lusófona e, em 2024, participou no prestigiado Summer Program da Film Scoring Academy of Europe. Atualmente, desenvolve um doutoramento em Artes dos Média e Comunicação na mesma universidade, com investigação centrada na composição musical para cinema.

Ao longo da sua carreira, destacou-se como vencedor do concurso Rock Rendez Worten com a banda Chapa Dux, tendo gravado discos e atuado no festival SXSW, em Austin (EUA). Foi nomeado para os International Portuguese Music Awards com a peça instrumental Saudades Tuas, e tem apresentado o seu trabalho em salas e festivais como a Casa da Música (Porto), Teatro São Luís, Festival Musa (Cascais) e em várias rádios e palcos internacionais.

João Ferreira tem colaborado em diversos projectos de jazz e música contemporânea, com destaque para os grupos Nebuchadnezzar, Vale, Manuel Rocha Quarteto e Mimicat e desenvolve ainda criações originais para cinema e arte sonora. Com a artista visual Marta Fiolić, fundou o coletivo εntropiɑ, através do qual tem realizado oficinas, instalações audiovisuais e obras comunitárias em Portugal, Bélgica e Finlândia, integrando eventos como o New European Bauhaus Festival, o Lisboa Soa e o Activists Without Borders Film Festival.

Tem também uma forte atividade pedagógica: lecionou piano em várias escolas e atualmente é professor na Academia de Jazz – Os Franceses (Barreiro), no Instituto dos Pupilos do Exército e no projeto Orquestra Geração. Para além disso, mantém uma prática regular como músico residente em sessões de jazz em Lisboa.

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